105. Saída para Dankel

105. Saída para Dankel
Mortagwan, vilanda da Dokhe, em Darklands

Antes: 104. A Equipe Escolhida

No final da reunião da Clave, a equipe que iria representar os quatro reinos velgas já estava escolhida: Por Van Hal, Suva Kaun iria como o campeão, e Ipa Bier como escudeiro; por Darklands, Mortagwan como atleta e Haia como seu acompanhante; por Aquitan, Xpeditus e Merlin; e por Terras Altas, Pet e Arley. Em Dankel, os guerreiros lutariam pelo cinturão, Haia e Arley sairiam para tentar achar a família do Senador, e Ipa e Merlin investigariam a localização tesouro.

Antes da partida, no entanto, os quatro atletas foram levados para um ritual conduzido pelas sacerdotisas de Australi. Numa sauna com ervas e plantas psicotrópicas, eles receberam uma dose extra de força, além de uma pastilha feita com os resíduos que saíram do corpo, que quando engolida poderia aumentar ainda mais as capacidades físicas dos guerreiros, durante alguns minutos, antes de derrubá-lo em um estado de sonolência.

Para a equipe de apoio, Jules Flanagan entrega a Ipa Bier uma flecha de Travel energizada, que poderia lhe conferir um tiro certo, e dois colares de proteção, para Haia e Arley. Já Merlin foi orientado a buscar seu “presente” na cripta de Imperatrix, uma daquelas caixinhas de chumbo com a Aurora da Morte.

No fim do dia, a equipe segue para Aussflag, em Darklands, onde pernoita antes de rumar a Dankel. O convite de Ighan avisava que os lutadores deviam se apresentar na manhã seguinte, logo após o nascer do sol.

– Vamos pegar uma trilha pela floresta ou seguir pelo desfiladeiro? – Questionou Pet Xueiz.

– Se seguirmos pela floresta, corremos o risco de encontrar a comitiva dos reinos alamanos da costa nordeste pelo caminho… – Diz Mortagwan: – Quem vem de Eredra, Saravessa, Treva, Darva, Havilan e Monserrat passará por lá.

– Ou viriam de barco pelo Mar do Leste. – Diz Pet Xweiz.

– Vamos pelo desfiladeiro. – Sugere Haia: – O de Adem, que liga Barbeij a Dunkel, eu sei que é habitado por vulcânicos desgarrados, digamos assim… Mas o de Kling não lembro de nada.

– Desfiladeiro. – Diz Suva Kaun, sendo apoiado por Xpeditus.

– Pelo desfiladeiro são duas horas a mais. – Diz Pet.

– Se sairmos agora pelo desfiladeiro, chegaremos no meio da madrugada em Dankel. – Rebate Mortgwan.

– Perfeito. – Decreta Suva.

Saindo de Aussflag no fim da tarde, o grupo encontra, no meio do desfiladeiro, perto de um pequeno lago, uma fogueira e um pequeno acampamento. Parece que há uma mulher ali.

– Deve ser alguma feiticeira. – Diz Ipa Bier: – Mulher que anda sozinha e fica de bobeira na beira de lago… Se garante na magia.

– Furada. – Concorda Suva.

O grupo decide passar pelo acampamento sem dar atenção para a mulher. Mas Suva não consegue conter a curiosidade e pergunta, quando chegam mais perto:

– Tudo bem por aí? Tudo tranquilo?

Assim que a mulher ouve a voz do tigunar, dá um sorriso. Outra mulher, seminua, sai de uma pequena barraca no local e acena para o grupo. Ipa continua seu caminho, apenas olhando de soslaio para as mulheres. As duas começam a assobiar, mas Suva resolve seguir o conselho de seus companheiros e ignora os chamados.

Alguns minutos depois, a comitiva já se afastava no escuro, iluminados apenas por Sela, o que conferia um brilho esverdeado às coisas. Algumas horas depois, no meio da madrugada, já podiam avistar a cidadela de Dankel, ao longe, encravada na montanha, à beira das praias do Mar do Leste, e cercada pela floresta de Agnix. Na trilha que leva à entrada da cidadela, o grupo avista um posto de guarda, cerca de uma milha de distância.

– Vamos acampar? – Sugere Haia, já se engraçando para o lado de Mortagwan.

– Vamos. – Concorda Ipa: – Cada dupla vigia por um tempo, para que todos durmam um pouco… Eu e Merlin somos os últimos.

A vilanda Mortagwan percebe o interesse de Haia e logo deixa claro:

– Entra na fila da madrugada que tem jogo, vulkânico. Mas sem choro e sem compromisso.

Pet e Ipa se animam, e entram na “fila”. Arley também. Xpeditus avisa:

– A galera pode ir na frente pra alargar um pouco a passagem.  Não quero contundir a colega…

Suva Kaun decide que não vai participar da orgia, para descansar. O tigunar estava focado na competição. Enquanto seus companheiros se aproveitam com Mortagwan e do antigo costume das guerreiras citroyanas, ele poupa todas as energias.

No primeiro raio de sol, já era possível avistar a bela cidadela fortificada de Dankel, com suas cascatas e jardins na beira do Mar do Leste. Assim que chegam ao posto de guarda, um dos guardas reconhece as insígnias e os cumprimenta, usando um velga oriental tosco:

– Vienes al torneo de los Verofuertes?

– Si, si. – Diz Xpeditus, carregando no sotaque tosco: – Lutchadores nuestro suemos

– Donde son ustedes? – Complementa o guarda.

– Suemos Velgas. – Responde Xpeditus, provocando risos em Arley.

– Lo sé, cabron… De qué reino vienem?

– Soy de Joy Divile, Van Hal. – Responde Suva.

– Io soy Xpeditus, de Aquitan

– Entonces… Muestra tu credenciales.

Xpeditus mostra a carta convite enviada para Aquitan, e recebe com Merlin uma fita branca com ponta azul (cores do reino) para amarrar no braço e se identificar no portal da cidadela. Suva Kaun faz o mesmo, e recebe com Ipa Bier uma fita branca com ponta vermelha, de Van Hal. Pet Xweiz e Arley recebem uma fita azul com ponta branca, de Terras Altas, e Mortagwan e Haia recebem uma fita toda preta, de Darklands.

Naquele mesmo momento, o grupo vê um cavaleiro gigantesco se aproximando pela trilha, com um escudeiro, rumo ao posto. De longe, o escudeiro grita umas palavras que parecem do idioma cibelo, como se anunciasse o guerreiro. Arley comenta:

– É, Suva… Rapadura é doce, mas não é mole não.

Continua: 106. A Recepção dos Senadores

Marcial Renato

Marcial Renato

Marido da Karin, a mulher mais bonita que já conheci na vida, pai da Ravena (super poderosa), do Henzo (a pronúncia é "Renzo", como o lutador) e da Laura (de olhos verdes). Filho da Alzira, a mulher mais forte do mundo, e do Paulo Roberto, o cara mais maneiro de todos os tempos. Já trabalhei como produtor de TV, Cinema e Internet, fui professor de Comunicação Social e hoje sou servidor de carreira da Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Tenho um mestrado em Literatura e graduação em Publicidade e Propaganda, ambos na UFRJ. Em 2012, escrevi, produzi e dirigi o longa-metragem "Dia de Preto", com Daniel Mattos e Marcos Felipe Delfino, premiado em diversos festivais no Brasil e no mundo. Também sou autor dos livros "Rituais de Casamento", de 2015, junto com a Karin, e "Asgaehart: as invasões bárbaras", lançado em 2018. Duas vezes por ano jogo na lateral direita do time dos nascidos na década de 70 do Vale do Rio Grande (7X). Também gosto de pegar onda no verão, e nas horas vagas escrevo aqui no site da Maxie.

14 comentários sobre “105. Saída para Dankel

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