57. Ataque ao Posto

57. Ataque ao Posto
Jon Hagen, vulkânico de Cibel, Cavaleiro Escarlate.

[Antes: 56. A Ilha de Vulkan]

– Bruma! – Exclama o gigante tigunar, já pedindo a Lend que se preparasse para inundar o céu com a fumaça negra.

Não havia matas no litoral. Apenas praias de águas cristalinas, com baías de águas calmas, cercadas por coqueiros e palmeiras, campos de grama verde e jardins floridos. Um espetáculo de visual.

– Será que já vão chegar atirando? – Questiona Tudur.

– São vinte! Vinte é foda, negão! Vamos para a água! Melhor saber nadar, galera. – Responde Vandu.

– Na água vamos ser alvos mais fáceis. – Rebate o Arauto de Hevelgar.

Bia Jonson tenta se comunicar com os animais alados, e consegue algumas visões impressionantes dos vulkânicos caçando Dragões de Gelo em bando, usando com maestria os arcos e montarias. Assustada, ela forma um novo elo e compartilha as imagens mentais com o grupo, alertando:

“São exímios caçadores alados! Não teremos chance alguma contra eles!”

“Porra! Os Ravens podem voar mais rápido que esses animais?”. Pensa Vandu, já antecipando uma fuga.

“Acho que sim”. Responde Hagen, também em pensamento. Tudur concorda, e sugere:

“O que acham se nos separássemos? Cada um para um lado, para despistá-los”.

“Isso! A gente lança as bumas e sai cada um voado para direções opostas!”. Pensa Vandu, antes de propor uma alternativa radical:

“Ou então seria a hora da energia infernal”.

“Não. A hora é de lançar uma bruma e saltar na água para nos esconder, enquanto os Ravens voam para longe para atrair os nativos”. – Propõe Halberic Lend.

“Boa ideia, Lend!” – Pensa Tudur.

“Boa! Porra!” – Concorda Vandu, já se preparando para pular.

Lend então torna o céu ao redor dos Ravens completamente escuro. As águias gigantes partem cada um para um lado, enquanto o grupo mergulha na água, de onde podem ver os vulkânicos se dividindo em dois grupos para segui-las.

– Ufa! – Exclama Vandu, já pensando em chegar logo na areia para fumar um charuto de dente de leão, para relaxar da tensão.

– Agora tu subiu no meu conceito, Lend.  Salvação.  – Diz o gigante tigunar.

A água no local era morna, calma, com grandes bancos de areia. Já era madrugada, e pequenas ondas quebravam tubulares, com muita frequência. Com toda a discrição, o grupo resolve nadar lentamente na direção de uma praia que parecia deserta, com exceção de um pequeno posto de observação. Ao fundo da praia, cercada por campos floridos, havia fazendas para criação de gado e também algumas trilhas que levavam para o interior da ilha, onde se erguiam as cidadelas vulkânicas. Usando uma bruma leve, Lend protegia a aproximação até o local pretendido. Quando chegaram mais perto, avistaram dois vulkânicos tomando conta do lugar. Os nativos, muito fortes e bronzeados, usavam apenas uma tanga e uma lança.

– Ihhhh… Agora é a minha parte. Porrada. – Diz Vandu, motivado para o combate.

– A gente vai chegar já matando uma galera e criando inimizade assim de cara? – Questiona Kreuber.

– Somos invasores na ilha… – Responde Tudur.

– Não correremos o risco de vir toda uma cidade atrás de nós? – Rebate Kreuber, fornecendo ainda mais argumentos:

– Será que eles estão satisfeitos com esse negócio de despertar a fêmea dos dragões?

– Pelo que percebi eles não gostam de visitantes. – Concorda Lend.

– Ninguém gosta. Ainda mais sem marcar hora. – Responde o cavaleiro das Terras Altas, concluindo: – Mas acho que nem eles querem acordar Zama.

– Entendo seu questionamento, Kreuber, mas acho que não isso nçao faz diferença pra eles. Mas se quiserem tentar uma abordagem diplomática…

– Pois eu acho melhor não dar “oi” pra ninguém. – Afirma Vandu, insistindo: – Porrada sem dar tempo de correr ou gritar.

– Se a gente matar esses caras, vamos virar o inimigo número 1 dessa ilha… – Afirma Kreuber.

– Somos invasores, porra! Eles já sabem de nós! – Exclama Vandu, já de pavio curto.

– Pra mim era melhor a gente tentar seguir sem que esses caras nos vejam. – Diz Kreuber, explicando: – Não quero conversa com esses guardas. Eles só querem proteger a costa. Acho que não precisamos matar ninguém para entrar.

– Podemos tentar passar despercebidos com a ajuda de uma bruma, como temos feito. – Responde Lend.

– Matar é necessário. Sei bem como é. – Afirma Vandu.

– Se matarmos os caras, alguém vai dar falta. E seremos caçados. – Insiste Kreuber.

– Se não matarmos esses filhos da puta nos matarão. – Devolve Vandu.

– Vai o sanguinário… – Diz Lend, rindo das reações do tigunar.

– Já temos problemas demais pra ter uma cidade inteira nos caçando. – Continua Kreuber.

– Acho boa a ideia do Kreuber. – Afirma Lend.

– Vocês me desculpem, mas já estive em muitas guerras. O melhor agora é um ataque rápido  e mortal. – Declara Vandu.

– Melhor entrar na moita. – Diz Kreuber.

– Melhor matar na moita. – Rebate Vandu, insistindo:

– Essa é a boa. Não vim pra fazer amigos. Guerra é guerra. Inimigo bom é inimigo morto. Temos que matar rápido e de forma cruel pra deixar exemplo. Mas respeitarei a opinião da maioria.

– Acho que Vandu tem razão. Com um bote rápido, podemos nos livrar desses guardas. – Diz Tudur, explicando a tática: – Hagen lançando a espada escarlate, e Vandam usando flechas.

– Boa Tudur! Ataque maldito! – Vibra Vandu, cheio de raiva no coração.

– Se algo no bote der errado, eu como a cabeça deles! – Exclama o negão, já se aquecendo para a ação.

– Temos que chegar bem perto, para garantir que eles não tenham tempo de chamar reforços. – Diz Tudur.

Lend ainda estava em dúvidas, e o resto avaliava as condições para se manifestar. Mas apenas Bia parecia inclinada a seguir a ideia de Kreuber. Vandame, Sif e Hagen acabam preferindo o ataque. A sacerdotisa então percebe um grupo de golfinhos negros na água, e usa seus poderes empáticos para conseguir que eles arrastassem o grupo rapidamente até a areia. Aproveitando o fim da madrugada, eles avançam sorrateiramente pela faixa de areia, na direção do posto. Vandu, Vandam e Jon Hagen seguem na frente, encobertos por uma bruma produzida por Lend, para colocar o plano em prática. O resto do grupo se esconde mais atrás, ainda na água, também protegidos por uma névoa.

Quando alcançam uma distância de menos de 50 metros para os guardas, Lend usa outra de suas poções para dissipar a bruma. A espada escarlate de Hagen voa e acerta com precisão absoluta o coração de um dos guardas, mas a flecha de Vandam atinge o outro nativo no ombro. Ferido, o vulkânico corre para dentro do posto construído com ripas de madeira, erguido sobre pilotis na areia.

– Fedeu! – Exclama Tudur, apreensivo com o resultado parcial do ataque.

– Estão indo matar dois merdas de guardinhas. Não vamos ganhar nada com isso, só chamar a atenção. – Reclama Kreuber.

Vandu, Hagen e o monge correm na direção do posto. Mas Lend pensa mais rápido e arremessa uma bruma do sono na cabine. Vandam é o primeiro a chegar e já encontra o nativo caído, sangrando muito por causa da flechada. Ele tentava acender o pavio de um sinalizador quando apagou. Quando Vandu chega ao local, tomado pelo ódio, decepa a cabeça do vulkânico e bebe o sangue do nativo que escorria pelo pescoço.

– Guerra! – Grita o tigunar, ensandecido.

– Vamos esconder os corpos e sair daqui rápido. Não podemos esquecer da troca de guarda. – Sugere Lend.

Hagen arranca sua espada do corpo do nativo que tinha matado. Assim que o resto do grupo chega ao local, quando Lend e Vandam já começavam a arrastar os cadáveres para fora, todos escutam um ruído proveniente um pequeno aposento dentro da cabine principal do posto. No local, havia um tipo de despensa, ou reservado. Quando Vandu abre a porta do cubículo, todos ficam surpresos quando veem uma mulher vulkânica nua, agachada numa espécie de cama de palhas, coberta apenas por alguns adereços e lençóis finos.

A nativa era linda. Para ser mais exato, era absolutamente deliciosa para os padrões humanos.

[Continua: 58. Os Dotes de Danda]

Marcial Renato

Marcial Renato

Marido da Karin, a mulher mais bonita que já conheci na vida, pai da Ravena (super poderosa), do Henzo (a pronúncia é "Renzo", como o lutador) e da Laura (de olhos verdes). Filho da Alzira, a mulher mais forte do mundo, e do Paulo Roberto, o cara mais maneiro de todos os tempos. Já trabalhei como produtor de TV, Cinema e Internet, fui professor de Comunicação Social e hoje sou servidor de carreira da Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Tenho um mestrado em Literatura e graduação em Publicidade e Propaganda, ambos na UFRJ. Em 2012, escrevi, produzi e dirigi o longa-metragem "Dia de Preto", com Daniel Mattos e Marcos Felipe Delfino, premiado em diversos festivais no Brasil e no mundo. Também sou autor dos livros "Rituais de Casamento", de 2015, junto com a Karin, e "Asgaehart: as invasões bárbaras", lançado em 2018. Duas vezes por ano jogo na lateral direita do time dos nascidos na década de 70 do Vale do Rio Grande (7X). Também gosto de pegar onda no verão, e nas horas vagas escrevo aqui no site da Maxie.

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