North to Paradise

North to Paradise

Esse é um daqueles livros “tapa na cara” que me faz entender o quão privilegiado eu sou e como há pessoas que são simplesmente muito melhores do que eu. Melhores não por serem mais inteligentes, mais fortes ou cultas. Mas por serem melhores seres humanos.

North to Paradise é um relato do autor Ousman Umar de sua jornada desde seu simples vilarejo natal no interior de uma densa floresta tropical em Gana – onde a escola nada mais era do que uma dúzia de cadeiras de baixo de uma árvore e cujas aulas eram interrompidas quando chovia – até Barcelona (na “Terra dos Brancos”), iniciada no início de sua adolescência. Sua idade não era sabida, pois o conceito de ano ou mês não era importante. Sabia apenas que havia nascido em uma terça-feira.

Embora sua vida fosse extremamente simples e sem muitas posses materiais (por exemplo, Ousman relata que as pessoas de sua vila, se quisessem usar uma calça que cobrisse as pernas inteiramente, precisavam colocar umas três, de forma que uma tampasse os buracos das outras…), sua motivação não ocorreu por fome, mas pela curiosidade de ver o “mundo dos brancos” que produzia pássaros de metal que transportavam gente de um lugar para outro e que parecia oferecer oportunidades e riquezas que simplesmente não existiam em seu mundo.

E, assim, Ousman, com toda a ingenuidade que seus incertos poucos anos podiam oferecer, cuja maior preocupação não era nem aonde chegar ao fim da jornada, mas se conseguiria ou não comer algo no dia, se vê à mercê de uma cruel rede de contrabandistas de pessoas que simplesmente as abandonam no meio do Saara para morrer.

Nesse caminho que enfrenta fome, sede, estupro, calor, frio e morte, Ousman aprende que nessa vida, ninguém dá nada de graça. Eles sempre querem algo em retorno: é a natureza humana. Ou pelo menos, é a natureza do sistema que os homens vivem.

Contudo, apesar de todas as dificuldades por ele vividas, ao invés de Ousman passar a acreditar que o mundo é repleto de pessoas ruins, ele prefere acreditar que a maioria das pessoas é boa. Só que pessoas boas fazem menos barulho.

Após ser acolhido e formar-se em Barcelona, Ousman criou uma ONG com a finalidade de melhorar a educação e qualidade de vida de seus compatriotas para que nenhuma outra criança precisasse passar pela mesma tristeza que ele experimentou.

Leia. São apenas 159 páginas escritas sem qualquer pretensão e que vão fazer você querer ser uma pessoa melhor.

Marcos Felipe Delfino

Marcos Felipe Delfino

Nascido em 1975, Marcos Felipe, também conhecido como Marquinho, ou Marquito, ou Kinets, já tentou ser músico, fotógrafo e cineasta entre outras frustrações. Hoje é servidor público.

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